Dificuldades X crescimento

6#não são os fracassos no casamento que devem nos preocupar, mas a inabilidade de restaurar o relacionamento.

Uma observação: o texto de hoje foi escrito abril de 2002. Mas, vocês vão ver, continua bem atual e pode ser muito útil. LM

 

Em qualquer tipo de relacionamento haverá dificuldades. Sempre que duas pessoas começarem a se relacionar haverá forte potencial para o conflito.
A família não está isenta de problemas. Como qualquer outra instituição passa por necessários ajustes para poder crescer e se fortalecer. Algumas famílias conseguem lidar com os problemas de forma positiva. Outras, infelizmente, vêem sonhos e projetos desmoronarem diante das pressões a que são submetidas.
Os conflitos resultantes das diferenças de opinião, de valores e de interesses não apresentam apenas pontos negativos. É claro que todos prefeririam viver sem confrontações, sem necessidade de disputar espaços ou poder. No entanto, uma abordagem adequada do conflito pode ajudar em muito o crescimento da família.
São pontos positivos, entre outros, dos conflitos¹ :
• Podem levar à mudança
• Estar atento ao que gera conflitos pode aumentar a motivação para fazer o bem
• Chamam a atenção para os problemas que precisam ser resolvidos
• Tornam a vida mais interessante, menos monótona
• Geralmente levam a decisões que exigem avaliação futura cuidadosa
• Ajudam-nos a perceber como reagimos em momentos de pressão
• Pequenos conflitos (quando resolvidos) podem desarmar outros conflitos potencialmente mais graves
• Podem até ser divertidos, se não forem levados muito a sério!
No momento em que o casal consegue visualizar as vantagens decorrentes de uma abordagem saudável das dificuldades, fuga e ausência passam a ser opções pouco interessantes.
Evitar as questões difíceis não traz nenhum benefício, a não ser a ilusão de um alívio imediato e fugaz.
O crescimento que a família pode esperar na qualidade do relacionamento não está ligada apenas às dificuldades, mas à forma como os problemas serão enfrentados.
Os que tiverem uma visão mais positiva e motivada das dificuldades encontrarão mais facilidade para resolvê-las e para fortalecer os laços familiares.
Nem sempre a família sabe lidar com os conflitos de forma madura e saudável. Às vezes os resultados são bem ruins, chegando a ser desagregadores. Ficam no ar sentimentos de frustração, desmotivação, raiva, medo, sensação de injustiça, tristeza e humilhação.
Em tais casos, não há dúvida que os laços familiares estão se esgarçando diante das pressões e da inabilidade de lidar com elas.
Na prática, é preciso avaliar se sua família está lidando adequadamente com o conflito. Afinal, não deve haver o interesse em ganhar discussões e perder a harmonia familiar.
Um conflito só terá sido útil (os pontos positivos foram alcançados) se:
1. Se você se relacionar melhor com os outros depois
2. Se os envolvidos se sentirem confortáveis em relação uns aos outros após as discussões
3. Se os envolvidos ficarem satisfeitos com as soluções encontradas
4. Se você tiver crescido de forma a saber melhor como lidar com outros conflitos no futuro
5. Se todos se sentirem ouvidos e valorizados
As dificuldades contribuirão para o crescimento familiar quando a ênfase for retirada do interesse pessoal em defender posições ou ganhar discussões e focalizar na valorização do outro, no bem estar de todos.

1. The Clemson University Cooperative Extension Service. Department of Youth and Family. Feb. 1997.
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Cansei! Chega… Ou: pára o mundo que eu quero descer…

Por Lúcio Menezes

TWEET 5

Hoje continuamos a série de tweets relacionados as nossas bodas de prata. Serão compartilhados 25 “achados” que encontramos no caminho e nos ajudaram a chegar até aqui bem. 

há épocas em que desistir parece ser uma boa opção. O dia seguinte melhorou nossa perspectiva. #bodasdepratalucioemirinha

Houve um período em nosso relacionamento do qual não temos saudades. Foi um tempo ruim, árido, insosso, sem graça. Também foi irritante, desanimador, opressivo e frustrante. Na época pensamos que não sobreviveríamos como casal, como família.

Embora vivendo juntos, estávamos divorciados emocionalmente. Cada um pro seu lado, cada um buscando seu próprio interesse. A paciência estava esgotada, era um tempo de “tolerância zero” como os erros ou ações do outro. Fico tenso só da lembrança…

Nossa energia estava sendo drenada diariamente e íamos enfraquecendo. Chegou um momento em que  o afastamento emocional se tornou tão forte que se instalou entre nós uma indiferença alarmante. Já nem nos importávamos em discutir, em ocupar espaços, em definir quem tinha mais poder – letargia, comodismo, inação, desprezo. Pense num negócio ruim…

No meio dessa fase horrível, não vou negar, tivemos algumas conversas difíceis, daquelas que os homens mais desejam evitar = DR. Lembro que naquelas horas terríveis ainda demos “sopa pro azar” e a conversa desandou para uma possibilidade de separação. Uma bobagem que poderia ter estragado anos lindos e abençoados que o Senhor nos concedeu em seguida. Ainda bem que a ideia (de jerico) não se concretizou.

Pode a tristeza durar uma noite inteira, mas a alegria vem pela manhã… Pois é, esta verdade foi experimentada por nós no ciclo ruim. Tirar os olhos dos problemas e começar a pensar num futuro melhor foi o primeiro passo para nos levar à mudança de ciclo.

O foco nos problemas era tão intenso que ficamos cegos para todas as outras coisas boas ao nosso redor, para nossa história de vida, para nossos filhos, familiares e amigos.

Hoje, quinze anos depois, podemos dizer que valeu a pena investir na restauração do nosso casamento. Vivemos tanta coisa boa depois desta crise, crescemos tanto em amor, em compreensão, em alegria, em cumplicidade… Lá atrás parecia impossível, hoje é uma experiência que nos ajuda a compreender melhor os desafios de uma família saudável. Certamente Deus nos ajudou até aqui…

Mudar de ciclo deu trabalho! Não foi por acaso ou sorte. Tivemos que ralar, nos quebrar, inverter prioridades, chorar juntos, orar juntos, ter humildade para mudar, reconhecer erros, pedir perdão. Voltamos a investir no ambiente de namoro: sair juntos, olhar nos olhos, elogiar, importar-se com o outro, beijar mais.

E o ciclo passou!! Voltamos a ter uma vida abundante, com significado, com alegria, dando e recebendo amor que vem de Deus. Voltamos a ver com clareza o quanto somos abençoados com nossa família, com nossos filhos maravilhosos, com familiares e amigos que se interessam realmente por nossa vitória. Vá por nós: se você está num ciclo ruim, HÁ ESPERANÇA!

 

 

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Se ajeitando…

Por Lúcio Menezes

tweet # 4 – mais importante do que ter um alvo a ser atingido, é ter a capacidade de fazer ajustes durante o percurso. #bodasdepratalucioemirinha

É consenso que ninguém casa pensando em separar, não dar certo, fracassar! Os alvos são grandes, desafiadores. Todos desejam alegria, paz, entrosamento, muito amor e flores pelo caminho. Há uma sensação implícita de que tudo dará certo no final. De um jeito ou de outro.

A expectativa maior é de que os pontos positivos do namoro vão permanecer automaticamente, que não será preciso fazer esforço algum para que a vida em comum seja um sucesso. Não é bem assim…

Viver bem exige determinação e resiliência. É preciso mais que sorte. Estar dispostos a fazer ajustes é o segredo, a chave da longevidade.

Não é possível construir um relacionamento saudável e sólido sem ajustes de percurso. Haverá dias que pedirão paciência para andar em “ruas esburacadas”, diminuindo a velocidade, quase parando! Outros dias demandarão coragem e ousadia para superar “estradas enlameadas e escorregadias” que podem levar o casal a sair da estrada e sofrer as consequências.

Mas também teremos tempos de estrada boa, larga, bem sinalizada e segura. Tempo de crescer, construir e gozar a vida! O perigo, no entanto, estará sempre rondando – muitos dormem exatamente agora, numa longa e entediante reta.

Estar atentos em cada fase e dispostos a buscar, com humildade, os ajustes necessários vale a pena.

 

 

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Só não muda quem já morreu!

por Lúcio Cesar Menezes

A vida tem ciclos. Quem não muda se lasca! #bodasdepratalucioemirinha

Tweet  

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Já passamos por cada uma! Momentos bons e ruins, acertos e erros, saúde e doença, alegria e tristeza, fartura e escassez, sem filhos e com filhos, morando em apartamento emprestado e em casa própria, salário bom e nem tanto assim, com carro e sem carro…

Tivemos ciclo em que os dois só trabalhavam à tarde e tínhamos a manhã inteira só pra nós. Almoçávamos fora pra não perder tempo… O casamento era uma boa continuação do namoro, ambiente alegre, divertido, muitas descobertas interessantes acontecendo. Era um ambiente construído em conjunto, com incentivos recíprocos.

Em outro momento entramos num grande deserto. Tudo parado em termos emocionais. Olhávamos pros lados e só víamos terra seca, areia e pedras. As plantas eram mirradas, sem folhas, sem vida. O horizonte não parecia ter fim, será que nosso relacionamento morreria assim, de inanição? Cada um cuidava de sua vida e pouco se importava com o outro. Sobrevivência, se possível. Entrávamos e saímos de casa no automático, levando a vida como era possível.  Chegamos aqui também juntos, os dois se descuidando da relação, deixando o “o mato tomar conta do jardim”.

Comparando os dois ciclos concluímos que não tínhamos casado para viver na mediocridade, na escassez de cuidados e interesse no bem estar do outro e dos filhos. Como o divórcio não era uma opção, decidimos mudar de ciclo. Juntos, um apoiando o outro, mesmo quando o deserto insistia em retornar. Recuperamos princípios bíblicos, reciclamos comportamentos, reaprendemos a olhar e tocar, voltamos a namorar, refizemos prioridades, perdoamos, perdoamos e perdoamos. Levou tempo, exigiu força e determinação, cobrou um preço alto, mas funcionou!

Outros ciclos foram vividos nesses anos. O certo é que aprender a lidar com as mudanças e se dispor às adaptações necessárias é um excelente caminho para quem deseja um relacionamento longo feliz e com realizações pessoais. É um caminho de renovação, de recriação e recomeço. Um novo casamento em cada novo ciclo. Sozinhos teria sido difícil conseguir. Contamos nesta luta com a provisão de amor de Deus. O que recebemos Dele começamos a distribuir entre nós, com nossos filhos e com os que estavam ao nosso redor. Percebemos que a alegria e a realização pessoal não podem ser supridas pelo cônjuge… Mas isto já é outro tweet, aguardem!

 

 

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Estabilidade sim, rotina não!

por Lúcio Cesar Menezes

há um lado certo da cama para você dormir #bodasdepratalucioemirinha

Há certas coisas que só se aprende quando casa. As pessoas podem falar, cursos de noivos podem orientar, palestrantes podem aconselhar, mas só a vida real para concretizar o aprendizado.

casal-cama (1)Uma delas é aprender a respeitar uma regra não escrita que se estabelece nos primeiros meses de forma insidiosa e subreptícia – qual lado da cama você vai dormir nos próximos anos, “até que a morte os separe”!

Solteiro, cama só pra você, quem vai pensar nisso? Você tem todo o espaço do mundo, escolhe pra que lado deita, reto ou enviesado,  certinho ou espalhado… É só deitar e pronto. Casou e tudo fica diferente.

Agora vai ter um lado certo, determinado e fixo. E ai de quem desrespeitar, deitar do lado errado. Crise certa. Logo tudo fica natural, estabelecido, estável! Ninguém mais erra, nenhum muda de lado, sempre do mesmo jeito.

Isto é ESTABILIDADE ou ROTINA? O casamento é um relacionamento de longo prazo e, por consequência, manifesta as duas situações. Pode-se dizer que a primeira traduz um conceito positivo e, a segunda, um conceito negativo.

A estabilidade do casamento, por exemplo, faz bem à saúde. Em pesquisa na Finlândia, “a equipe de pesquisadores descobriu que homens solteiros de todos os grupos etários eram de 58% a 66% mais propensos a sofrer um ataque cardíaco do que os casados”. Além disto, o casamento também faz muito bem à saúde financeira. “Um estudo do professor americano Jay Zagorsky, da Universidade do Estado de Ohio, apresenta um quadro completo sobre como o matrimônio pode beneficiar o bolso do casal. Segundo a pesquisa, o patrimônio de uma pessoa casada aumenta 93% depois da união e diminui 77% com o divórcio. O estudo foi feito com 9.055 pessoas, acompanhadas entre 1985 e 2000, com idades entre 41 e 49 anos na época da conclusão do levantamento.” (ISTO É DINHEIRO Nº EDIÇÃO: 440 | 22.FEV.06)

Por outro lado, diga não à rotina! Ela indica comodismo, inércia, falta de vontade de mudar, insensibilidade e preguiça. Também se estabelece no casamento sutilmente, entra sem avisar e logo toma conta de tudo.

Vem e muda todo o clima de descoberta, curiosidade, improvisação, renovação e interesse pelo outro tão presente e natural no namoro. De uma hora para outra o clima em casa fica frio e sem graça. Se o casal não cuidar e agir intencionalmente para mudar a situação o relacionamento pode sofrer sérias avarias.

As boas lembranças dos 25 anos passam por esta percepção de que a estabilidade deve ser aceita e incentivada, mas a rotina “enxotada” a cada semana!

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Que olhos lindos!

Por Lúcio Cesar Menezes

#1Nossos primeiros dias (semanas) de namoro, como para quase todos os casais,  foram especiais. Uma enxurrada de emoções, adrenalina em alta, expectativas altas, corações pulsando forte só em chegar perto um do outro. Definitivamente o mundo tinha ficado diferente!

Duas coisas eu adorava e uma terceira era ainda melhor: a conversa boa, tranquila e agradável que tínhamos, ficar horas de mãos dadas e o olhar profundo da Mirinha! Que olhos lindos! Quanta emoção são capazes de passar!

Era assim há vinte e seis anos atrás – aproveitando toda e qualquer oportunidade para estarmos juntos e, ao final do dia, mais um papinho ao telefone. Ainda não tínhamos celulares, msm, whatsapp, FB, twitter. A comunicação era mais olho no olho!

Aprendemos muitos naqueles dias sobre nossas diferenças e nossas afinidades. Começamos a descobrir, embora com os olhos ainda embaçados pela paixão, que íamos nos completar em muitos aspectos e precisaríamos nos ajustar em outros.

O que nos ajudava muito naquele tempo era a disponibilidade de um para com o outro. Sempre estávamos dispostos a nos ajustar para conviver bem. Um queria agradar o outro. Tínhamos sintonia, queríamos construir algo nosso, algo maior do que já éramos como indivíduos.

Casamos com a certeza de que aquele modo de nos relacionarmos não mudaria, que continuaria se aplicando naturalmente. É, não foi bem assim…

Tivemos alguns percalços no início e vimos que, logo após a festa de casamento, de algum modo incompreensível e inesperado, o jeito de olhar um para o outro pode mudar! Se não tivermos cuidado o namoro, a troca de carícias e os olhares podem diminuir perigosamente.

Essa lição aprendemos logo: #namorar, trocar carícias e olhares têm poderes miraculosos na relação!

Ela tem nos ajudado a viver um casamento bem sucedido, feliz, onde alegria e paz estão presentes diariamente. As circunstâncias nem sempre são favoráveis, mas temos um ao outro para nos aconchegarmos, olhar fundo nos olhos e encontrar carinho e conforto.

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Bodas de prata

Por Lúcio Cesar Menezes

LMJunho é nosso mês especial do relacionamento – escolhemos o dia 24, em 1988, para casar! Foram cerimônia e festa marcantes, especiais pra nós, lembranças que nos acompanham a cada dia.

Esse ano completamos 25 anos de casados e optamos por comemorar a data um uma viagem de lua de mel. Novamente os dois sozinhos, igual à primeira vez. Foram 12 dias especiais…

Viajamos sem roteiro rígido, com horário ajustável à vontade do momento, GPS pronto para um novo trajeto no meio do caminho. Os dias eram sempre longos, divertidos e cheios de novidade.

Na segunda semana o ritmo mudou radicalmente: ficamos em hotel com tudo incluído, à beira da praia. O dia ficou, então, ainda mais longo, preguiçoso e sem pressa para nada… Optamos por diminuir o ritmo, as distrações e ficar juntos sem fazer nada e fazendo tudo.

Um resultado desse tempo bom (quantidade e qualidade) foi uma ideia que começamos a desenvolver ainda lá, à beira do mar: criar um tweet para cada ano de casado. Uma frase que resumisse algumas das coisas que aprendemos até agora, vinte e cinco anos em parceria. Nos divertimos muito buscando estas frases… Algumas obviedades apareceram, claro, “pois não há nada novo debaixo do sol”. Mas foi legal ver na prática a sintonia de nossa experiência e como um influenciou profundamente a vida do outro. Somos melhores hoje graças ao casamento.

Talvez isso vire um livro, sei lá, mas vou compartilhar nossos tweets via FB e Twitter nas próximas semanas. Junto com eles vou escrever um texto mais amplo para publicar no ReVendo. A hashtag será #bodasdepratalucioemirinha.

Você que já conhece o ReVendo é nosso convidado de honra. Se gostar, curta. Se quiser, retweet.

 

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