Segura direito, menino!

Lúcio Menezes

A intenção era a melhor possível, mas não surtiu o efeito desejado. O pai queria que o filho controlasse melhor a bola de frescobol com a raquete e, após uma sequência de erros, não resistiu e falou rispidamente: segura a raquete direito, menino!
O filho, percebendo a impaciência do pai na mudança do tom de voz, ficou ainda mais inseguro. Pensou que estava segurando a raquete direito e não sabia o que fazer para atender o pedido (ordem) do pai. Sentiu-se inadequado, incompetente, sem habilidade. Pior ainda, era incapaz de entender a instrução simples do pai.
A próxima jogada seria um problema…
Essa situação se repete com frequência no relacionamento entre pais e filhos, muitas vezes com consequências bem mais graves.
Os pais emitem uma instrução para os filhos de forma vaga, sem explicações detalhadas, sem conferir se eles compreenderam o sentido e esperam uma resposta adequada, uma mudança imediata. Normalmente o resultado é uma frustração recíproca – pais sem a resposta desejada, filhos sem saber exatamente o que fazer para agradar aos pais.
No frescobol a orientação precisava ser mais específica. Coloque a mão assim, movimente o braço deste jeito, bata na bola de tal forma. De preferência dando exemplos que ilustrassem as instruções.
Da mesma forma no treinamento para a vida.
Os pais devem ensinar pelo exemplo, mostrando aos filhos como agir e como responder aos desafios da vida. Devem mostrar como se posicionar diante de situações duvidosas, incentivar as escolhas pela verdade, pela honestidade. Devem reforçar os valores corretos sendo coerentes, consistentes em suas decisões, éticos em qualquer circunstância.
Os pais devem ter persistência. Não basta falar uma vez e esperar que os valores estejam internalizados. É preciso repetir, treinar mais e mais vezes, dar mais exemplos, acompanhar o crescimento dos filhos, elogiar, incentivar, treinar, treinar e treinar.
Ensinar a criança no caminho em que deve andar é mais do que dar sermões, do que ficar falando o dia inteiro. É mais do que terceirizar a educação para escola ou igreja, fugindo da responsabilidade de incutir os valores corretos na formação do caráter do filho(a). É mais do que estabelecer regras, mandamentos, leis. É mostrar em sua vida, nas decisões mais simples, a aplicação prática dos valores bíblicos.
É praticar o que ensina ao acordar e ao deitar, pelo caminho durante o dia, nas brincadeiras, nos passeios, nas conversas diárias. É aproveitar as oportunidades, as circunstâncias nem sempre agradáveis, a alegria ou a dor, os bons ou maus tempos. É estar presente, envolvendo filhos e família num abraço protetor.
Quando os pais assumem sua responsabilidade pela formação ético-moral e espiritual dos filhos estão fazendo sua parte para que a promessa se cumpra e até quando crescerem não se desviarão do caminho (ensinado). As decisões dos filhos, agora andando com suas próprias pernas, serão fundamentadas nos valores corretos. As circunstâncias poderão ser outras, mas as escolhas serão baseadas na verdade ensinada no tempo próprio.

Anúncios
Esse post foi publicado em Familia, Filhos e marcado , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s