Marcha à ré…

Lúcio Cesar Menezes

Há pessoas que decidem viver de uma forma bastante complicada. Definem um rumo e se tornam incapazes de avaliar outros caminhos ou soluções alternativas.
São pessoas de uma direção única, parecendo carros construídos com um câmbio defeituoso – não dão marcha à ré.
Vão sempre em frente. Mas não se trata de perseverança. Na verdade, é pura e simples teimosia.  É muito difícil imaginar um relacionamento bem sucedido sem a possibilidade de recuos e retratações. Em qualquer nível que seja, a vida é bem mais complexa do que os argumentos simplistas podem revelar. Quase nunca é possível definir claramente – você está errado(a) e eu estou certo(a).
Imagine-se estacionado diante de um muro. A única forma de sair é dando ré. Mas você não sabe como fazer! Só aprendeu a andar para frente. Ou você desiste e procura “outro carro” que não esteja com um muro à frente, ou aprende a melhor saída – recuar.
Muitos estão quebrando relacionamentos por acharem mais fácil buscar “outros carros”. Não estão dispostos a aprender novas regras ou saídas na relação.
Reclamam dos muros e colocam neles a culpa pelas dificuldades, mas não investem a mesma energia na busca de soluções. Decepcionam-se, quando seria mais inteligente recuar, manobrar e seguir em frente sob nova perspectiva.
Casais se afastam e perdem a intimidade, filhos rompem com pais, irmãos não se falam porque insistem em continuar pisando no acelerador sem pensar. Qualquer que seja a pista ou obstáculo a postura é sempre a mesma – passar por cima de tudo e de todos.
Parar, olhar, rever os caminhos é, para muitas pessoas, sinal de fraqueza. O orgulho de estar sempre certo, de não parar diante de problemas entorpece a percepção e ofusca o entendimento.
Parecem apavorados diante da possibilidade de pedir desculpas, reconhecer que errou. Pensam que perderão algo irreparável, que serão diminuídos, desmoralizados. Sua segurança está firmada em conceitos falsos.
A sabedoria em perceber que o caminho não está levando a nada de bom e a humildade para decidir por uma nova rota é um dos mais fortes indicativos de uma relação vitoriosa. Bater a cabeça contra a parede não é e nunca será uma atitude madura.
Na próxima vez que estiver forçando a barra para que tudo seja do seu jeito, lembre de incluir a possibilidade de recuar, de rever posições, de ceder, de perdoar, de buscar soluções mutuamente satisfatórias.
Ser flexível e conciliador é melhor do que atropelar pessoas e seus sentimentos. Os que conseguem agir assim estão mais propensos a contribuir para uma relação mais madura e mais sadia.

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