Prefiro pagar caro!

Lúcio Cesar Menezes

A vida é muito interessante e surpreendente. Nem tudo é preto ou branco e a quantidade de decisões complicadas é imensa. A emoção, negativa ou positiva, comanda a vida das pessoas, deixando-as incapazes de avaliar com clareza e objetividade os fatos da vida. O raciocínio fica embotado pela tristeza, pela raiva, pelo ódio, pela soberba ou orgulho, pela presunção de superioridade. Alguns preferem morrer (brigar, separar) a dar o braço a torcer, a mudar de ideia, a tentar uma nova abordagem. São o que são – imutáveis, soberanos, completos e perfeitos. Ainda que estejam com a vida despedaçada, a família destruídas, com filhos tristes e rebeldes e sabe-se lá mais o quê.

E assim a vida vai seguindo. As pessoas mais queridas são feridas, relacionamentos são desfeitos, a alegria de viver vai se esvaindo. O resultado já está claro – perda, derrota, frustração. No entanto, por incrível que possa parecer, as pessoas resistem às oportunidades que aparecem. Nesse contexto chega alguém e oferece ajuda, apoio, uma nova abordagem. Não!! é a resposta imediata, firme, dura. “Não preciso de ajuda”, “sei o que estou fazendo”, “pode deixar comigo”, “tudo a seu tempo”, “quem sabe mais à frente?”, “não é para o meu caso”, “obrigado, mas…”

E a vida segue em frente cobrando o preço devido pela falta de investimento na relação. Todos mudam, pois a cada novo dia as relações são diferentes. Ninguém é o mesmo de um ano atrás. Não é possível viver sem adaptações, flexibilidade e recomeços. Filhos mudam da fase, crescem. Suas necessidades físicas e emocionais se transformam rápida e profundamente. Não é inteligente usar os mesmos argumentos, insistir nas mesmas ordens, recusar-se a negociar. Marido e mulher mudam. Por quê insistir na rigidez de idéias? Na falta de flexibilidade? Mudam as condições no emprego (ou desemprego), mudam as condições financeiras, muda a visão de mundo, mudam amizades. Crenças são colocadas em dúvida, decepções acontecem, há doenças – com ou sem cura. A vida se caracteriza por mudanças.  Se as mudanças acontecem, ainda que não gostemos, qual a razão para não mudarmos também? Por quê não dar oportunidade para reciclar conceitos, recuperar o romantismo, estar mais atento a pequenas coisas, se interessar mais pelas necessidades do cônjuge e dos filhos?

Por quê permanecer com corações duros, irredutíveis em decisões tomadas em outro contexto, em momento diferente da vida? Por quê não dar chance para novidades, para surpresas? Qual o problema de correr alguns riscos ante a possibilidade de ter mais qualidade de vida, de estar de novo apaixonado, de poder se alegrar com os filhos e com a família? Que força estranha é essa que nos deixa paralisados e ainda nos faz parecer doentes que rejeitam ajuda? Sei lá! O que sei é que há muita gente escolhendo pagar caro para ver um final que já está com a “pedra cantada” ou com a “carta marcada”. Vamos balançar a cabeça e ver se a chacoalhada serve para nos libertar das amarras do imobilismo, do orgulho e da presunção de já saber de tudo.

Quando receber um convite que abre espaço para melhorar sua vida pense bem. Pode sair muito mais barato do que você pensa!

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