As pessoas mudam e esquecem de avisar aos outros

 Prestei um pouco mais de atenção aos meus filhos esta semana e vi que o tempo está passando rápido. Mais do que eu gostaria.

Estão diferentes, são outros filhos! Os interesses mudaram, o jeito de falar segue as influências recentes, cumprimentos novos aparecem toda hora, estão em outra…

Fazem perguntas difíceis, estudam coisas que não lembro mais. Querem saber os motivos e as razões das decisões, opinam, pensam, contribuem.

Já não dependem muito de mim. Se viram bem, sabem o que querem, já chegam com as soluções. É uma fase nova, um desafio. Também preciso mudar.

Minhas soluções já não são tão perfeitas, exigem adaptações. As regras precisam ser avaliadas para continuarem a ter sentido. Os valores continuam sendo prioritários, mas é necessário defendê-los com novos argumentos.

Essas observações me levaram a perceber que também mudei muito nos últimos 10 anos. Não sou, nem de longe, o mesmo. Mudanças boas aconteceram. Outras nem tão boas também se firmaram.

Das segundas, por exemplo, lembro que já fui mais atencioso e romântico com a Mirinha. Presentes, cartas e mensagens de amor já foram mais freqüentes. Já fui mais paciente com os meninos, rindo de suas brincadeiras ou de seus erros e tropeços. Já visitei mais os amigos, cultivando amizades e aprofundando relacionamentos. Já fui mais apegado aos meus pais, embora possa dizer que não os ame menos por estar um tanto emocionalmente ausente. Não vale muito a explicação, no entanto.

E assim a vida vai seguindo cheia de mudanças – boas ou ruins.

O problema é que não vamos avisando às pessoas que não somos (ou estamos) mais do jeito que elas nos conheceram. Ou não estamos mais do jeito que estivemos em uma determinada fase da vida.

E assim a frustração se instala. A sensação de que estamos sendo enganados, pois a pessoa com quem casamos (convivemos) não está sendo a mesma! Ousou mudar…

É certo que todos estamos em constante mutação: diária, permanente, inexorável.

Reconhecer as mudanças é um primeiro passo. Mais importante é estar disposto a lutar por mudanças mais positivas, escolhendo atitudes que aproximem, que valorizem os outros, que distribuam carinho, amor, respeito e consideração.

Mudanças que promovam sorrisos em vez de mágoas, alegria em vez de tristeza, prazer e não dor. Perdão e não ódio.

Olho para os lados e vejo vitórias e derrotas nos últimos dez anos. Vejo conquistas e vejo perdas, dias de alegria e dias de tristeza, dor e sofrimento.

No meio das mudanças considero fundamental compartilhar com o cônjuge e os filhos que a vida nos vai modificando, alterando, refazendo.

Só assim será possível estabelecer um nível melhor de compreensão no relacionamento. Só assim poderemos evitar a frustração de amar ou respeitar mitos, figuras estáticas que ficaram no passado.

Amo minha esposa de hoje, com suas forças e fraquezas. Amo meus filhos de hoje, em seus momentos próprios de desenvolvimento, com suas características, pontos fortes e fracos.

Delicio-me também, é verdade, com as lembranças de outras etapas da vida. Mas não me permito nutrir um saudosismo patológico como se só houvesse vida no passado.

Mudei, mudamos e ainda mudaremos muito mais. Espero estar preparado para continuar amando minha família em cada fase, de uma nova e reforçada forma.

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