Diferenças, como superá-las…

unnamedA liderança implica em muitas relações com as mais diferentes pessoas. São relações que precisam se estabelecer sem desprezar as origens e experiências diversas.
Ao conversar com alguém é preciso buscar as palavras certas e, mais ainda, estar atento para perceber se a interpretação dada pelo receptor é a mesma que desejamos dar.
O que falo atinge o receptor de que modo? Remete a lembranças agradáveis ou a situações embaraçosas? Toca em alguma ferida emocional? Algo não resolvido?
Concordo com você que conversar assim dá muito trabalho! Afinal, vou ter agora que ficar medindo tudo que falo e ainda ter que “adivinhar” os problemas dos outros?
Pois é, quem disse a você que ser líder é fácil? Na verdade, preocupar-se com os outros não é tarefa só dos líderes, mas líderes que não se preocupam com os outros são um grande perigo. Acabam por tornar-se autoritários, auto-suficientes, prepotentes.
Li esta semana algumas dicas simples que podem diminuir significativamente os problemas de comunicação e, assim, praticamente eliminar os conflitos nos relacionamentos interpessoais.
Charles W. Christian, ministro da Canby Chapel, Igreja do Nazareno, percebeu que boa parte dos conflitos que minavam sua autoridade acontecia pela falta de sintonia entre a percepção dos liderados e sua intenção. Sendo assim, adotou os passos seguintes e estabeleceu um pacto com os líderes de que seguiriam as regras abaixo:
1. Se você tem um problema comigo, venha até mim (em particular)
2. Se eu tenho um problema como você, eu irei até você (em particular)
3. Se alguém tem um problema comigo e vai até você, mande-o para mim (eu farei o mesmo em relação a você)
4. Se alguém deixar claro que não virá até mim, diga, ‘Vamos até ele juntos. Estou certo de que ele nos receberá para tratar do assunto.’ (eu farei o mesmo em relação a você)
5. Tenha cuidado ao interpretar para os outros o que eu digo – eu mesmo prefiro fazer isto! (Ou seja, em assuntos que não sejam muito claros, não se sinta obrigado a justificar meus sentimentos ou pensamentos. É muito fácil interpretar mal as intenções!)
6. Eu serei cuidadoso ao interpretar você.
7. Se é confidencial, não conte a ninguém (se aplica especialmente aos que participam de reuniões de liderança)
8. Quando estiver em dúvida, fale! (perguntas “bobas” são as que não são feitas! Somos uma família, nos preocupamos uns pelos outros, portanto, se você tem uma preocupação ore e esclareça.
O ministro Charles diz que se não serviu para eliminar completamente os problemas, a postura adotada gerou uma base sólida de amor e confiança para os relacionamentos, abrindo espaço para uma comunicação melhor.
homem irritadoEsta semana vivenciei uma situação assim em nossa organização. Estava para acontecer um evento novo, diferente, algo que nunca tinha sido feito. Uma líder não estava certa se apoiava ou não, se era correto ou não. Mesmo sem termos adotado formalmente os passos citados, a líder agiu em conformidade com eles: passou-me um e-mail colocando suas dúvidas, seus anseios, pedindo uma opinião minha sobre o assunto. Foi ótimo, pois pude explicar minha posição e trocar idéias sobre a matéria. O melhor de tudo é que a transparência elimina o ‘disse-me-disse” e as interpretações erradas são afastadas.
É verdade que nem sempre concordaremos em tudo, mas todos saberão que há honestidade e sinceridade nas razões pessoais para preferir uma solução à outra.

Publicado em comunicação, conflito, Liderança, transparência | Deixe um comentário

Resumindo…

Lúcio Cesar Menezes (escrito em abril de 2004)

a-falarDuas situações acontecidas hoje valem um pequeno comentário. Elas têm a ver com comunicação e características próprias de homens e mulheres.
Nas duas, a Larissa está envolvida – o que exemplifica a necessidade de os pais se interessarem por uma boa comunicação com os filhos.
Indo almoçar, depois de pegar “as crianças” no Colégio Batista, cheguei a um cruzamento difícil de ser atravessado, pois não tem semáforo. Após pequena espera, um dos carros diminui a velocidade e sinaliza para que eu passe.
Agradeço acenando com a mão e sigo em frente. Larissa, bem observadora, me pergunta:

  • “Pai, é obrigado isto?”
  • “Não, filha.” Respondo.
  • “Então para que você faz?” retruca ela.
  • “Para agradecer por ele ter me deixado passar!” respondo.
  • “Então é obrigado, ora..”

Demos uma olhada rápida um para o outro e começamos a rir. A “ficha caiu” para os dois na mesma hora.
Larissa falou o obrigado no sentido de agradecer e eu entendi no sentido de obrigação, ter que fazer. Assim, minha resposta correta teria sido simplesmente sim. É um sinal de obrigado.
Como entendi de forma diferente, houve um momento em que ficamos sem nos compreender.
No exemplo, o tempo foi rápido e a “incompreensão” inofensiva, até divertida. Rimos muito.
Muitas outras situações, entretanto, podem levar a desentendimentos graves e com conseqüências indesejáveis. Daí a importância de conferir se o que se diz está sendo bem compreendido pela outra parte – amigos, cônjuge ou filhos.
Lembre que um conceito importante de comunicação é de que o emissor é responsável por garantir que o receptor tenha entendido bem a mensagem.
Depois do almoço, Larissa vem conversar comigo sobre um resumo que precisa fazer. Coloco-a no colo, enquanto ainda é possível, e peço para que comece a me contar a estória do livro.
Ela vai falando, falando, falando. Dá detalhes, detalhes e mais detalhes. Vejo que o resumo vai ficar maior que o livro!
Dou-lhe um abraço, faço umas cócegas, rimos muito e então falo: Lalá, é um resumo! Conte quem são os personagens, qual o problema/situação que estão passando, o que pretendem fazer para resolver e conclua dizendo se deu certo. Basta isto!
“Ué, pai, mas aí não vai dar nem uma página…”
Bom, mais uma diferença interessante na forma de pensar e se comunicar se evidencia.
O gosto pelos detalhes, por falar “tim tim por tim tim” do que aconteceu é uma característica das mulheres. Exceções confirmam a regra.
Não se veja isso como preconceito ou estereótipo. Veja-se como mera constatação de fatos, pois há vantagens e desvantagens. Como em quase tudo na vida.
O que interessa, no caso, é compreender a diferença e tirar proveito dela.
As mulheres (releve a generalização) gostam e valorizam a conversa, não seu resultado. Contam e compartilham problemas e o fazem com muitos detalhes, explicações e expressões sentimentais. O só falar já é uma terapia. Já alivia a alma.
Os homens, ao contrário, valorizam mais o resultado que o processo. Conversam, falam apenas o necessário para chegar a uma conclusão, a uma solução.
A compreensão das diferenças ajudará muito na qualidade do relacionamento familiar. Vamos aproveitar as habilidades próprias e utilizá-las em benefício de todos.
O importante não é sermos todos iguais. Muito melhor, é valorizarmos as diferenças e tirarmos proveito delas.
Resumindo, a família é um corpo e pode se beneficiar das diferenças de seus membros. Depende apenas de incentivar a visão de que somos complementares e valiosos em nossas diferenças.

 

Publicado em comunicação, Familia, Filhos | Marcado com , , , , , | 1 Comentário

Ciclos….

casal longevo
Há dias mais difíceis que outros. Às vezes a dificuldade é real, outras é apenas uma questão de percepção. Tudo está igual para duas pessoas – céu, sol, clima, ambiente – mas uma delas está abatida. Um mistério se estabelece e é preciso investigar um pouco mais para chegar a uma conclusão mais acertada.
Nem sempre dá pra explicar os sentimentos que se movem por dentro de nós. Olhando apenas para o que está à vista é muito arriscado formar opinião, julgar.
Há manhãs nubladas, densas, com um peso inexplicável. O tempo parece se mover em câmera lenta, numa letargia que nos deixa quase sem vontade de viver. Algumas vezes as emoções combinam com o clima – nuvens escuras, sem sol e com chuva. Nem sempre, no entanto, é assim. O conflito se acentua quando, por dentro, há um clima sombrio e, ao abrir as janelas, a luz do sol invade todos os espaços. Como estar triste num dia tão lindo? Algo errado está no ar.
Há dias assim também no casamento. A alternância de dias bons e maus faz parte da vida. Falo de casamentos normais, não de casos extremos de violência e negligência. Casamentos que persistem no tempo e, em consequência, passam por fases diferentes. Cada uma com seus desafios.
Casar, na verdade, está fácil. Desafio mesmo é permanecer casado.
Em tempos nebulosos é preciso tomar algumas decisões certas, independente dos sentimentos, ainda que tudo pareça pesado, tenso, complicado.
Quem ainda não esteve numa situação assim?
No período em que o relacionamento estiver tenso, pouco divertido, quase depressivo, será fundamental agir intencionalmente.
Continuar conversando vai ajudar. Claro que ficar sozinho pode parecer a melhor opção nestes momentos, mas só amplificará o problema. Fazer coisas juntos, ir aos mesmos lugares, manter interesses comuns facilitará a vida. Cuidar do humor também será bom. Rir dos erros e vacilos é rejuvenescedor.
Não custa lembrar que as fases ruins passam. Cedo ou tarde, uma hora ou outra. Não desistam logo, sigam em frente, agüentem o tranco e estejam certos de que uma nova fase surgirá.
Quase todos já estivemos numa fase assim.
O que vocês fizeram para permanecer, para vencer a fase ruim?
Compartilhem suas experiências. Talvez elas façam diferença na vida de algum casal que está precisando agora. Comente…

Publicado em comunicação, Familia | Deixe um comentário